primeiro estúdio de cinema de são paulo ficava na zona norte

Você sabia que o primeiro estúdio de cinema de São Paulo ficava na Zona Norte?

Conheça a história do primeiro estúdio de cinema de São Paulo, a Companhia Maristela, que funcionou no Jaçanã a partir de 1949 e reuniu grandes nomes da cultura brasileira. 

O Jaçanã guarda um pedaço precioso da história do cinema paulistano e muita gente que mora na Zona Norte nem desconfia disso. Foi ali, no finalzinho da Rua Francisco Rodrigues, que nasceu em 1949 o primeiro grande estúdio de cinema de São Paulo: a Companhia Cinematográfica Maristela. O projeto era o sonho de Mário Audrá Junior, herdeiro de uma família do setor têxtil que trocou os tecidos pelas telas do cinema.

Entretanto, o orçamento era enxuto se comparada à famosa Companhia Vera Cruz, mas a Maristela apostou em talento de verdade. Pelos seus estúdios passaram nomes como Procópio Ferreira, Tonia Carrero, Odete Lara e até Adoniran Barbosa, que não era só presença musical, mas também ator. A produção de cinema na companhia girava em torno de dois ou três filmes por ano, com a estratégia de alugar os espaços para outras produtoras nos intervalos.

adoniran barbosa atuando no primeiro estúdio de cinema de são paulo
Adoniran Barbosa atuando em A Pensão da D.Stela no estúdio Maristela (Foto: Reprodução Maristela Filmes)

Mas o catálogo da Maristela tem um peso histórico. A companhia foi responsável pela primeira adaptação de Nelson Rodrigues para o cinema, com Meu Destino é Pecar, e também produziu Presença de Anita, que décadas depois viraria série na Globo. Sem falar na chanchada Pensão de Dona Stela, onde Adoniran aparece tanto nas composições quanto em cena.

Bastidores do estúdio maristela, o primeiro estúdio de cinema de são paulo, localizado na zona nrote
Bastidores da Companhia Cinematográfica Maristela, no Jaçanã (Foto: Reprodução Maristela Filmes)

E por falar em Adoniran: existe uma história curiosa que conecta o estúdio ao “Trem das Onze”. Segundo Marco Audrá, filho do fundador, as gravações noturnas faziam os artistas perderem o último trem. O próprio Mário Audrá Junior foi até o governador Adhemar de Barros pedir a extensão do horário de funcionamento da Estrada de Ferro Cantareira. Mesmo com o trem rodando mais tarde, a turma não queria ir embora, e dessa boemia toda nasceu a música mais famosa do bairro.

Hoje, os 18 mil metros quadrados que um dia abrigaram esse pedaço vivo da história do cinema viraram ruas e imóveis comuns. Um muro de tijolos é praticamente tudo que sobrou. Vale lembrar que Roberto Marinho chegou a se interessar pelo espaço para instalar a futura TV Globo, mas a proposta foi recusada. O Jaçanã poderia ter sido a casa da maior emissora do país, e quase ninguém sabe disso.

E aí, você já tinha escutado essa história? 

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